Facebook, jornalismo e inovação

O Facebook enfrenta hoje um problema típico de jornalistas: foi acusado de manipular informações, ao barrar conteúdos de orientação conservadora. Em resposta, divulgou as diretrizes que seus editores usam e convidou vários nomes de destaque da blogosfera conservadora para um encontro com o próprio Mark Zuckerberg (foto). Não é um acaso que isso aconteça. Embora tenha começado apenas como uma rede social, o Facebook se transformou hoje na principal forma de acesso a notícias. Ganha dinheiro com a venda de anúncios e se tornou, para todos os efeitos práticos, uma empresa de comunicação. A ruptura provocada no negócio da publicidade por empresas como Google e Facebook configura a maior ameaça enfrentada por empresas de jornalismo profissional em todo o mundo. Ela repete a história narrada em um dos maiores clássicos do mundo dos negócios. Depois do lançamento do livro, em 1997, seu autor, Clayton Christensen, tornou-se guru de empresários como Andy Grove, Michael Bloomberg ou Steve Jobs. Originárias na indústria de discos rígidos de computador, suas ideias já foram aplicadas a setores tão distantes quanto siderurgia, montadoras e varejo. Christensen foi criticado por usar seus conceitos na análise de negócios puramente dependentes do fator humano, como saúde, educação e a própria imprensa. Mas o roteiro descrito em seu livro para o fracasso das melhores empresas diante das novas tecnologias está mais atual do que nunca. Diante do novo, o dilema delas é: manter a busca por resultados e as melhores práticas de gestão ou esquecê-las, abraçar o desconhecido e apostar num mercado ainda inexistente? A história do Vale do Silício está cheia de empresas que tiveram sucesso com a segunda estratégia. O Facebook é apenas uma delas.

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